12/06/2015

Mude, mas comece...

Vamos fazer a viagem do EU a Nós por meio do texto Mude, mas comece... de Edson Marques interpretado pelo Antonio Abujamra.
Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama…
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais…
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…
outra marca de sabonete,
outro creme dental…
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!!

05/06/2015

Formas de ver....

Vamos fazer uma viagem do EU ao Nós por meio da poesia de Ana Paula Rovere intitulada Formas de ver...:


Vivendo e caminhando sempre,
Atenta ao dia a dia
Tenho aprendido muito
Ao contemplar fotografias

Com um bom equipamento,
E, uma vez a técnica adquirida,
Sai por aí o fotógrafo
Observando e registrando "a vida"

Fotos lindas, com certeza,
Surgirão aos milhares
Mas a versão por trás delas
Dependerá dos diferentes olhares...

O que vê e pensa o fotógrafo
Quando faz o seu registro,
Simplesmente a cena montada
Ou enxerga muito além disso?

E nós ao vermos a foto,
Qual a nossa interpretação?...
O q entendemos,quais cores e formas vemos .....
O que nos chama mais a atenção?

O que quero dizer realmente
É bem simples de entender
Não existe ,em qualquer coisa q seja,
Somente uma maneira de ver

A cena registrada era o que era
Simplesmente estava lá,
Daquela maneira, naquele momento
Mas a interpretação por trás dela
Provém de nossa cultura,nosso arquivo próprio...
E nos leva a um julgamento....

Na vida, bem como acontece c a foto,
Somos tendenciosos a pré julgar....
Tudo, todos, os acontecimentos
Com a impressão do primeiro olhar

Crescer é um exercício
Ao qual precisamos nos render
Então não pré julgue, não acuse,
Não sofra nem faça sofrer

Seja feliz, torne a vida mais leve
Viva e deixe viver
Não perca tempo sentenciando
Mude, adapte, liberte
Expanda sua forma de ver....

29/05/2015

Como é por dentro

Vamos fazer uma viagem do EU ao NÓS por meio do texto de Fernando Pessoa declamado por Antonio Abujamra.


Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo,
com que não há comunicação possível,
nem há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma,
senão da nossa.
As almas dos outros
são olhares,
são gestos,
são palavras,
supondo-se
qualquer semelhança no fundo.

Entendemo-nos porque nos ignoramos.
A vida que se vive
é um desentendimento fluido,
uma média alegre
entre a grandeza
que não há
e a felicidade
que não pode haver.

22/05/2015

Diante da lei...

Vamos fazer uma viagem do EU ao NÓS por meio do texto de Franz Kafka declamado por Antonio Abujamra:


A uma porta que dá para a lei
Diante dela um guardião
O guardião da porta da lei
Um homem simples chega
E pede para entrar
O guardião responde
Que naquele dia não é permitido entrar
O homem pensa um pouco
E pergunta
Quando poderei entrar
O guardião responde
Que de repente, mas não agora
Como a parta da lei está aberta
O Homem simples se agacha
Para olhar para dentro
Por entre as pernas do guardião
O guardião impede o homem de olhar
E o adverte
Adverte que lá dentro
Há outras portas
E outros guardiões
Um mais forte e feroz que os outros
O homem simples
Sempre pensara que a lei
Deveria se acessível a todos os homens
O guardião lhe empresta um banquinho
Para sentar-se a porta da lei
E ficar esperando a hora de entrar
Passam-se os dias e os anos
O homem simples
Continua perguntando
Quando poderá entrar
O guardião dá respostas vagas e impessoais
Dizendo sempre que a hora
De entrar ainda não chegou
O homem simples tira a roupa
Tira a roupa do corpo
E tenta subornar com ela
O guardião da porta da lei
O guardião não recusa
Aceito! Aceito!
Para que você não diga
Que não tentou tudo
Aceito!
Mas ainda não posso permitir
A sua entrada
Com o passar dos anos
O homem simples maldiz seu destino perverso
De dor, de sofrimento, em velhice
Sem poder cruzar a porta da lei
Que ali continua diante dele
Emanando uma claridade que ofusca
Seus olhos cansados
Nada lhe resta
Senão, a morte!
Agonizando, ocorre de perguntar
Ao guardião
Porque durante todos aqueles anos
Todos aqueles anos que esperou
Não apareceu nenhuma outra pessoa
Pedindo para entrar pela porta da lei
E o guardião responde
Ninguém quis entrar por esta porta
Por que ela se destina apenas a você
E agora, com sua morte

Eu terei de fecha-la... 

15/05/2015

Mas olhe para...

Vamos fazer uma viagem do EU ao Nós, por meio do texto Mas olhe para... de Clarice Lispector declamado pelo Antonio Abujamra.


Mas olhe para todos ao seu redor
e veja o que temos feito de nós
e a isso considerado vitória de cada dia.

Não temos amado,
acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não se entende
porque não queremos passar por tolos.

Temos amontoado coisas
e seguranças
por não nos termos
um ao outro.

Não temos nenhuma alegria
que já não tenha sido catalogada.
Temos construído catedrais,
e ficando do lado de fora
pois as catedrais que nós mesmos construímos,
tememos que sejam armadilhas.

Não nos temos entregue
a nós mesmos,
pois isso seria o começo de uma vida larga
e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos
diante do primeiro de nós
que por amor diga: tens medo.

Temos organizado associações
e clubes sorridentes
onde se serve com ou sem soda.

Temos procurado nos salvar
mas sem usar a palavra salvação
para não nos envergonharmos de ser inocentes.

Não temos usado a palavra amor
para não termos de reconhecer
sua contextura de ódio,
de amor,
de ciúme
e de tantos outros contraditórios.

Temos mantido em segredo
a nossa morte
para tornar nossa vida possível.

Muitos de nós fazem arte
por não saber como é a outra coisa.

Temos disfarçado com falso amor
a nossa indiferença,
sabendo que nossa indiferença
é angústia disfarçada.

Temos disfarçado
com o pequeno medo
o grande medo maior
e por isso nunca
falamos no que realmente importa.
Falar no que realmente importa
é considerado uma gafe.

Não temos adorado
por termos a sensata mesquinhez
 de nos lembrarmos
a tempo dos falsos deuses.

Não temos sido puros
e ingênuos
 para não rirmos de nós mesmos
e para que no fim do dia
possamos dizer
“pelo menos não fui tolo”
e assim não ficarmos perplexos
antes de apagar a luz.

Temos sorrido em público
do que não sorriríamos
quando ficássemos sozinhos.

Temos chamado de fraqueza
a nossa candura.
Temo-nos temido
um ao outro,
acima de tudo.

E a tudo isso
consideramos
a vitória nossa de cada dia

08/05/2015

Para que a escrita seja


Vamos fazer uma viagem do EU ao NOS, por meio do texto Para que a escrita seja de Cecília Meireles, declamado por Antônio Abujamra.


Para que a escrita seja legível,
é preciso exercitar a mão
e conhecer todos os caracteres.

Mas para começar a dizer alguma coisa
que valha a pena,
é preciso conhecer
todos os sentidos desses caracteres
e ter experimentado em si próprio
todos esses sentidos.

E ter observado no mundo
e no transmundo
todos os resultados
do que se experimentou.

02/05/2015

Programa HPH

Começamos o programa “Humanos, perfeitamente humanos!” com a música Cio da terra (Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho), com a PRESENÇA ESPECIAL de Ada do Porto Salvador.
No Bloco de Pais para Pais, com a minha mãe, conversamos sobre as diferenças nas relações de cuidados entre pais e filho, e filhos para pais. Quem não aprendeu a respeitar as pessoas da família como irão tratar as pessoas de fora. Nossa relação com a natureza justifica as situações de catástrofes. A terra é a mãe, precisa ser acarinhada e ter respeito. A natureza tem seu ciclo, devemos respeitar. Tratamos da gincana na Escola Padre Leopoldo sobre conhecimento de Valinhos. Temos a obrigação de fazermos o nosso melhor.
Encerramos o bloco celebramos a gratidão pela vida com a música Snowbird (Elvis Presley).     
ÚLTIMO BLOCO
Começamos o terceiro bloco do programa tocando a música Luardo sertão (Tonico e Tinoco).
VIAGEM DO “EU AO NÓS”
Encerramos o programa com o texto Vão parao diabo sem mim!, de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, declamado por Antonio Abujamra.

Você tem uma segunda oportunidade para ouvir o Programa HPH, com sua reapresentação aos domingos das 15h00 as 16h00. Mas se quiser poderá ouvir o Programa HPH de hoje clicando aqui, ou assistir a Transmissão online (vídeo e áudio), clicando na 1ª Parte e 2ª Parte.

Depois de 17.637 dias de vida: Grato por este agora, um bom caminho e fique bem!

Até sábado que vem...